Dia a dia

Só com essa amiga

heart

Voltar pra Alemanha depois de passar férias no Brasil foi totalmente diferente da primeira vinda no ano passado. Teve, sim, a parte da saudade, que deixou meu coração apertado. Mas voltar pra cá, pro frio, pros desafios da adaptação e pra essa cultura quadrada e esquisita, me fez sentir aquele alento de estar chegando em casa.

De fato, voltei pro meu teto, onde o Tiago e eu temos nossas coisinhas e aconchego. Além disso, neste ano, o rumo da nossa vida está um pouco mais claro, mais detalhado do que esteve no ano passado. Tem também a parte do idioma, que, mesmo sendo ainda algum tipo de barreira para nós em determinadas situações, já sai um pouco menos titubeante da nossa boca e um pouco mais carregado da nossa personalidade.

Tudo isso facilitou bastante. Mas parece que não foi só isso que me deu as boas-vindas. Assim que acessamos o portão de embarque, tive a impressão de estar sendo abraçada por alguém que sinalizava, docemente, o início dessa segunda fase da nossa jornada na Alemanha: era novamente a Solidão, que enfrentei no ano passado e que demorei para aprender o nome, mas que agora se parece mais com uma velha amiga, uma atual morada.

Voltar para ela foi diferente do que eu esperava. Não foi com pesar, mas com vontade de entendê-la  e até de aproveitar melhor essa amizade, extrair tudo o que ela traz pra mim, mesmo quando eu estiver acompanhada do aperto de me sentir sozinha.

Escrevendo assim parece dar até motivação, sei lá… Mas eu sei que vai doer mais tarde, quando estivermos juntas só nós duas, a Solidão e eu. Só que, de alguma forma, eu já estou acostumada, pelo menos um pouquinho, com essa amizade. Já sei um pouco mais do que ela gosta e não gosta e até arrisco pensar em maneiras de distraí-la, de passar o tempo.

E, sabe, tenho achado interessante pensar nisso… Que até pouco tempo atrás eu não sabia nem descrever o que estava sentindo e só via a parte negativa de me sentir sozinha. Não que seja a coisa mais gostosa do mundo, mas ficar de vez em quando só com a Solidão, chamá-la assim pelo nome e encontrar interesses em comum com ela têm me trazido um conhecimento novo sobre uma partezinha de mim que eu ainda não tinha conseguido acessar tão bem.

A gente vem morar do outro lado do mundo, esperando conhecer um monte de gente nova e vários lugares diferentes, mas acaba mesmo é trombando muitas vezes só consigo, só de um jeito que nunca antes.

 

 

 

 

 

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11 comentários em “Só com essa amiga

  1. Muito bem descrito Lissa Senti bem isso quando fiz a primeira visita de Rondônia para Araras Não e fácil mas Deus sempre conforta e acalma nosso coração Paulinho também expressou esse sentimento com choro quando fomos buscar as malas e ele ficou em Araras Quando perguntei pq vc chora filho ? ele respondeu : Porque agora entendi o que e saudade ! Preste atenção aos acontecimentos ao redor que Deus mandará momento pessoas ou situações de conforto Independente de onde estivermos Ele sempre estará conosco bjs e grande abraço

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    1. Uau, Ana, eu não sabia que você também tinha se sentido assim. Mas são esses momentos aqueles em que vemos o cuidado de Deus com ainda mais facilidade, né?
      Um beijo pra vocês! Estamos com saudade e não vemos a hora de estarmos juntos novamente!
      Beijos!

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  2. Amor, certamente não é fácil…deixar tudo e todos para trás…mas tenho certeza que Deus está com vocês, cuidando, confortando e consolando…você JAMAIS está só! Te amamos e estamos sempre juntos de coração e pensamentos…sem dúvida você s cresceram muuuuiito nesse último ano e ainda vão descobrir mais dos lindos planos do nosso DEUS. Temos muito orgulho de vocês! Um grande beijo. Momis e Popis

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    1. Oi, Momis! Obrigada pelo comentário, pelo carinho e pelo suporte que vocês são para nós.
      Fique tranquila que sabemos que nunca estamos sós. Pelo
      Contrário, vemos o cuidado de Deus a todo momento, inclusive nos mais difíceis, pois é quando ele mais nos fortalece. Um beijo com amor!

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  3. Lissa, te entendo bem pois estou na mesma situação por aqui… e o frio acho que reforça ainda mais esse sentimento, já que acabamos ficando muito em casa, sem vontade de encarar os graus negativos lá fora. Assim que der podíamos fazer algo, trocar figurinhas, enfim, ia adorar conhecer a região. E se quiser dar um pulo na França, também está convidada! Bisou

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    1. Oi, querida! Obrigada pelo comentário no blog. É sempre bom compartilhar experiências com quem se identifica conosco. E, claro, melhor ainda seria contar tudo isso pessoalmente. Concordo que temos que trocar essas figurinhas logo! Hehe! Vou te passar pelo Facebook o número do meu telefone para a gente combinar um encontro pelo WhatsApp. Vocês estão convidados a conhecer nossa região! E nós, animada pelo dia em que poderemos conhecer a de vocês!
      Beijo!

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  4. Saber lidar com as dificuldades é algo que poucos dominam. A solidão é uma das piores inimigas, mas você é tão sábia que resolveu fazer amizade com ela. Isso é mesmo uma sabedoria que vem do Alto.
    Você está com uma amiga que te acompanha. Quem está acompanhado, nunca está só! É mais: você tem as nossas orações. É mais ainda: você tem Deus!!!!

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    1. Olá, querida Suely. Obrigada pelo carinho do seu comentário. De fato, sentir-se só não é muito agradável, mas até nisso o Senhor nos fortalece e mostra seu amor por nós. Que Ele continue a nossa frente! Um beijo pra vc!

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  5. Oi, Lissa! Poxa, acho que nunca tinha comentado aqui.

    Eu li seu texto na semana passada, acho, e me identifiquei muito. É claro que eu não estou em outro país, tendo que conviver com outra cultura, outra língua etc. Mas, desde que saí do emprego, fiquei com essa sensação de solidão e vazio que não tinha muito como consertar, só tinha como viver com ela.
    No início foi difícil. Não que tenha melhorado totalmente, mas acho que aprendi a conviver comigo mesma. Acaba sendo um processo para um aprendizado maior e, no fim, acho que vai valer a pena.

    Eu leio sempre o que você escreve e torço para que tenha a melhor experiência aí na Alemanha ou em qualquer lugar em que estiver.

    Um grande abraço.

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    1. Oi, Bruna! Obrigada pelo comentário. Pelo que li, tenho certeza que você me entendeu por sentir exatamente a mesma coisa. Não precisa sair do país ou da cidade pra gente aprender que ficar só conosco mesmo pode ser doloroso, especialmente no começo. Mas depois pode ser algo bem positivo também.

      Também te leio sempre quando chegam os e-mails dos seus posts. Esse seu último texto, então… 🙂 Delícia ler essas coisas… hehe!

      Também torço por você, que é pra mim uma daquelas pessoas que marcam a gente com coisas boas, lembranças boas… e carinho.

      Beijos!

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