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De volta à Aix-en-Provence – Férias na Provence, parte 1

Olá! Este é o primeiro post sobre nossas férias na Provence, em que vou contar como foram os dois dias em Aix-en-Provence, no início da nossa viagem. Mas, antes deste texto, também escrevi uma pequena introdução, resumindo nosso itinerário e contanto um pouquinho do que me motivou a preparar esse “roteiro perfeito” e onde busquei as informações para ele – clique aqui para ler. E, para continuar acompanhando os textos sobre os outros dias da nossa viagem pela terra da lavanda, basta clicar nos títulos abaixo:

Parte 2 – Provence: campos de lavanda e montanhas de tirar o fôlego

Parte 3 – Litoral sul da França: sol, mar, calanques e vento

De volta à Aix-en-Provence

Primeiro dia: relembrando a cidade

Depois que nosso avião chegou na cidade de Marseille, alugamos um carro no aeroporto e seguimos cerca de meia hora até Aix-en-Provence, a cidade lindinha onde morei e estudei durante o intercâmbio. Ficamos hospedados no Ibis Styles  da cidade. Já passava das 10 da noite, e havíamos levado alguns lanchinhos e guloseimas na mochila, pensando que, pelo horário de chegada, não haveria muitas opções de restaurantes.

Acordamos cedo no sábado, tomamos um café reforçado – apesar de achar o café da manhã um pouco fraco para os padrões do Ibis – e fomos para o centro de Aix-en-Provence começar nossos passeios. E, apesar de ter alugado um carro, preferimos pegar um ônibus até o centro da cidade, pois havia um ponto bem em frente ao hotel.

A cidade de Aix é uma joia colorida da região provençal. Visitá-la novamente mexeu com todos os meus sentidos, especialmente o olfato, já que o cheiro dos mercados, dos produtos das feiras, das flores, e, especialmente, dos pinheiros da cidade me fizeram voltar a 2010, quando estive na Provence pela primeira vez. Ah! E o barulho das cigarras?! Uau! Foi bom demais escutá-las tão de perto outra vez.

No caminho até o centro, relembrei também a simpatia da população mais velha da cidade: uma senhora engatou no papo comigo depois que perguntei se era mesmo aquele ônibus que nos levaria aonde gostaríamos de chegar.

Descemos perto da Fontaine de la Rotonde, uma enorme fonte que é um dos cartões postais da cidade e dá início à principal rua do comércio, o Cours Mirabeau. Infelizmente, pegamos uma grande reforma na Rotonde, o que nos impediu de fazer boas fotos, mas não de admirar sua beleza.

Seguimos, então, pelo Cours Mirabeau, acompanhando as barraquinhas dos feirantes, que dão ainda mais vida à cidade aos sábados. Vendem de tudo: roupas, sapatos, sabonetes, artesanatos, flores, queijos, verduras, frutas… Uma delícia de passeio!

E, como a cidade de Aix é repleta de fontes, apenas no Cours Mirabeau matei a saudade de outras três saídas de água: a Fontaine des Neuf-Canons; a Fontaine de Moussue, que jorra água a 18° C e é coberta por uma camada de musgo; e Fontaine du Roi Réné.

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Fontaine des Neuf-Canons

Mas eu estava animada mesmo para ver a Fontaine d’Albertas, localizada em uma pequena praça, que, pelo que aprendi no blog da Destino Provence, é um conjunto barroco com decoração rococó terminado em 1745 para o marquês d’Albertas, segundo a moda parisiense das praças reais. A fonte data de 1862.

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Fontaine d’Albertas, minha fonte favorita em Aix-en-Provence. Fotos de 2010 e 2018

Não muito longe, encontramos a praça onde está localizada o Hôtel de Ville, que é a prefeitura da cidade, a torre do relógio, que marca as estações do ano, e também uma linda feira de flores, que ocorre todas as manhãs na cidade. Como estávamos viajando no auge na floração da lavanda, havia muitos ramos lindos para apreciar com os olhos e o nariz!

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Prédio da prefeitura e Torre do Relógio, à esquerda; detalhe das flores perfumadas da feira à direita

Com mais alguns passos, chegamos até a Cathédrale Saint-Sauveur, igreja do século XII. Mesmo tendo morado em Aix por quase 6 meses, essa foi a primeira vez que entrei na Catedral da cidade. Achamos curiosa a maneira como o santuário é todo dividido por dentro, dando a impressão de que a igreja possui diversas salas diferentes, onde várias atividades podem ser realizadas ao mesmo tempo.

Aix-en-Provence_catedral
Catedral de Aix quase escondida pelos telhadinhos provençais da cidade

Outro ponto histórico que para mim ainda era desconhecido é o Tourreluque, que é uma torre da antiga muralha que cercava Aix-en-Provence durante a idade média. Esse resquício está situado na Avenue Jean Jaurès, de onde tirei a foto acima, em que é possível ver uma parte da Catedral.

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Tourreluque

Como já era próximo de meio dia, começamos a pensar no nosso almoço. Ainda havia bastante da cidade para passear nesse dia e priorizamos a praticidade de uma boa crepe francesa. De acordo com o blog Destino Provence, a melhor creperia de Aix-en-Provence é a Crepes a Go-go, localizada em uma passagem subterrânea perto da Rotonde. Por isso, voltamos até lá e comprovamos: a crepe deles realmente é uma delícia – e muito bem servida!!

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Tiago feliz com seu almoço na melhor creperia da cidade

E, com aquele calorão – na semana em que estávamos lá, a temperatura ficou sempre acima dos 30 graus -, depois do crepe, fomos direto à sorveteria Giovanni, localizada no Cours Mirabeau, também por recomendação da Natalia. Que sorvetinho gostoso, viu?!

Falando na Natalia, já estava quase na hora de nos encontrarmos com ela, pois eu havia mandado uma mensagem pelo Instagram, dizendo que estaria na cidade, e ela prontamente respondeu, convidando para um encontrinho. Fomos até uma cafeteria – na verdade, nosso objetivo era encontrar algum lugar com ar condicionado, para ficar alguns minutos conversando sem suar (tanto). O papo foi ótimo e ela é um amor de pessoa!

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Eu e Natalia Itabayana, do blog Destino Provence

Depois que nos despedimos dela, Tiago e eu iniciamos um percurso que eu estava animadíssima para fazer: caminhar em direção ao meu antigo alojamento estudantil e ver como estavam as coisas por lá 7 anos após meu intercâmbio.

Para isso, seguimos exatamente a rota que eu realizava na época, quando queria voltar para casa do centro e vice-versa: no Cours Mirabeau, virar na Rue du 4 de Septembre em direção ao Parc Jourdan.

Uau! Que sensação boa voltar até o alojamento! Eu me senti emocionada por estar ali, em um lugar onde vivi tantas experiências – boas e difíceis – de maneira tão intensa. E mais ainda pela presença do Tiago, uma das pessoas de quem eu mais senti saudade durante o intercâmbio. Foi maravilhoso! 🙂

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À esquerda, estou em frente à entrada do alojamento estudantil onde morei. À direita, aponto exatamente para a janela do quarto que foi minha casinha em Aix-en-Provence

Depois de viver toda essa emoção, ainda passamos pela universidade onde estudei – e da qual, para falar a verdade, não tenho boas recordações… – e por mais alguns lugares por onde eu sempre andava. Um dia inesquecível mesmo.

Voltando ao centro, ainda estava cedo para jantar, mas também estávamos cansados da caminhada. Encontramos um banquinho bem convidativo no Cours Mirabeau e ficamos praticando uma atividade que eu amo: olhar a vida e as pessoas passar. E tivemos companhia, já que uma senhora francesa boa de papo também se juntou a nós e, mais uma vez, pude colocar meu francês esquecido em prática.

Na hora da janta, escolhemos ir a uma praça linda e cheia de restaurantes, a praça Cardeurs. Não havíamos separado um restaurante específico e, por isso, fomos olhando de porta em porta, para ver se algum nos pareceria mais interessante. Escolhemos o restaurante “Le Papagayo”, mas, para ser sincera com vocês, não gostamos quando nos serviram a comida. Aliás, foi o único dia em que comemos não tão bem durante a viagem toda. No fim deste post, dou uma ótima sugestão de restaurante que encontramos no dia seguinte em Aix-en-Provence.

Depois de comer, voltamos para o hotel e nos preparamos para o dia seguinte, que prometia bastante!

Segundo dia: subindo (e descendo…) a Sainte Victoire

Aix-en-Provence_montanha

No segundo dia de viagem, também acordamos cedo e animados para o passeio. E lotamos a mochila de garrafas de água e lanches, já que nosso objetivo era ir até o topo da Sainte Victoire, uma montanha linda, que pode ser vista de vários pontos de Aix-en-Provence – especialmente da janela do alojamento onde eu morava.

A trilha até lá também era conhecida por mim. Durante o intercâmbio, o pastor e alguns membros da pequena igreja batista que frequentei quando morei em Aix-en-Provence fizeram o passeio e nos levaram (a mim e a outras brasileiras que estudavam comigo).

Na época, eu me lembro que nunca tinha feito uma aventura desse tipo… Subir uma montanha era algo que eu jamais havia pensado em fazer. Mas foi tão divertido, que estava mesmo a fim de encarar novamente os quase 5 quilômetros de caminhada até os 946 metros de altura. Sem contar que o Tiago AMA esse tipo de passeio e também não via a hora de conhecer todo aquele caminho que eu sempre descrevia para ele.

Dirigimos, então, até o Parking des Venturiers, um estacionamento gratuito logo no início da trilha Sentier des Venturiers, que possui 4,5km de extensão e foi a mesma que fiz em 2010 com o pessoal da igreja. Ela é ótima, pois possui formato de zigue-zague e foi desenvolvida para melhorar o caminho dos usuários e proteger as áreas naturais ao longo do caminho.

É claro que a subida foi cansativa, especialmente com o calor que estava fazendo. Porém, com as curvas da trilha, a gente não consegue ver o topo da montanha e vai caminhando de sombra em sombra, até chegar lá em cima.

Eu me lembrava pouca coisa prática sobre o percurso e, por isso, o site Les Amis de Sainte Victoire me ajudou muito com todos os tipos de informações e mapas do local.

Lá no alto da montanha, havia dois pontos que eu estava animada para rever: Le Prieuré, uma construção que se iniciou no século XIII com uma pequena capela, que, em 1671, deu lugar a um monastério; e La Croix de Provence, uma enorme cruz cravada bem no topo da Sainte Victoire. Neste vídeo (em francês, mas bem fácil de entender), você pode ver um pouco da história do Prieuré.

Ao chegar no Prieuré, descansamos as pernas, almoçamos nossos lanchinhos e, claro, apreciamos a vista.

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No alto do Prieuré em 2010 e em 2018
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Entrada do Prieuré
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La Croix de Provence, ponto mais alto da montanha

Na hora de descer é que ficamos impressionados com o tanto que havíamos subido, pois a descida parecia interminável! Lembram que eu disse que a trilha até o alto é em forma de zigue-zague e que, por isso, a gente não consegue ver nem o começo e nem o fim do caminho? Pois bem… Quando achávamos que já estávamos chegando ao estacionamento, ainda tinha mais para descer… Hehehe!

Quando, enfim, chegamos ao carro, ainda tínhamos mais um ponto de interesse para visitar: Le Barrage Bimont, uma enorme barragem de água, que também permite uma vista linda para a montanha Sainte Victoire.

E o Tiago, como um bom engenheiro, amou que eu incluí esse local em nosso roteiro. O único problema – que, segundo ele, foi até algo interessante – é que a barragem está passando por uma enorme reforma e, por isso, o lindíssimo lago de águas verdes estava vazio.

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Em 2010, o lago da barragem estava cheio. Pena que, por causa da reforma, não consegui reproduzir a foto este ano
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Sainte Victoire vista pela Barragem Bimont em 2010 e em 2018

Depois de tanta aventura, voltamos ao hotel, tomamos aquele banho revigorante e nos preparamos para sair novamente. Mas, dessa vez, era para encher a pança!! 🙂

E que jantar maravilhoso fizemos nesse dia, minha gente! Encontramos um ótimo restaurante no centro de Aix-en-Provence, chamado Hue Cocotte. Assim como vários restaurantes franceses, este propõe aos clientes diversos menus fechados. Ou seja, por um valor fixo, é possível escolher entrada, prato principal e sobremesa e, assim, sair de lá mais do que satisfeito.

Mas é preciso dizer, especialmente para quem mora na Alemanha e está acostumado com os baixos preços de restaurantes por aqui, que comer na França não é tão em conta (porém, a França ganha em sabor!). Nossa conta (menu para duas pessoas, com taças de vinho e gorjeta) saiu 75 euros, o dobro do que pagamos na Alemanha em bons restaurantes.

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Esses foram os meus pratos: de entrada, salada deliciosamente temperada e ovos semi-cozidos; prato principal, uma ratatouille cheia de caldo e sabor; e, de sobremesa, um petit gateau de chocolate com calda de caramelo salgado, que me fez virar os olhos de tão gostoso!

De barriga cheia e felizes com as aventuras do dia, dormimos como anjinhos e só acordamos no dia seguinte. A viagem estava só começando!

Nos próximos posts, conto mais! Beijão!

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