Dia a dia

Um ano sem carro na Alemanha

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Eu e minha bicicleta: inseparáveis! 🙂

Em 2016, quando viemos do Brasil para a Alemanha, não nos imaginávamos vivendo sem carro. Afinal, em São Paulo, dependíamos muito do nosso, mesmo usando frequentemente os transportes públicos disponíveis na cidade. Por isso, enquanto conversávamos com a empresa sobre o contrato de trabalho do Tiago, uma das primeiras perguntas que fizemos era sobre a possibilidade de ter um carro na Alemanha também.

Nessa época, foi nos oferecido um ótimo veículo que, além de ser necessário para as viagens que o Tiago realizava pela empresa, podia ser usado para fins pessoais. Então, fazíamos quase tudo de carro, desde compras até algumas viagens.

Logo nos primeiros meses, compramos também nossas bicicletas, pois, chegando aqui, vimos como era ampla a quantidade de ciclovias, ciclofaixas e trilhas com paisagens lindas que podíamos percorrer a duas rodas. Mas ainda encarávamos as nossas bikes mais como um lazer do que um item de necessidade.

Cerca de um ano e meio depois, o Tiago recebeu uma nova proposta de trabalho em outra empresa e não precisaria mais viajar diariamente. Era uma excelente condição, mas comprometia bem o conforto que tínhamos com o carro.

Discutindo juntos, pensamos na possibilidade de comprar um novo veículo pequeno e simples. Porém, antes de sair pesquisando preços e modelos, propusemos um teste: ficar sem carro por alguns meses e resolver tudo de bicicleta ou a pé para ver como nos sairíamos.

Como o inverno estava chegando, sabíamos que essa seria a época mais difícil para ficar sem carro na Alemanha. Porém, tínhamos a impressão de que, se conseguíssemos superar o frio alemão (e, com ele, a chuva, o vento, o gelo e a neve, que depois derrete e vira lama) sem o conforto de um carrinho, o calor seria fichinha.

E, aí, chegou o inverno, a primavera, o verão, e já é quase outono novamente; e ainda estamos sem carro e muito longe de nos ver comprando um.

E como foi ficar sem carro durante esse primeiro ano?

Ficar sem carro na Alemanha nos mostrou que, no nosso caso, as quatro rodas não são necessidade, mas apenas comodidade. Claro que teve os dias em que o frio e, especialmente, a chuva atrapalharam alguns planos. Mas o mais interessante é que, sem carro, a gente passou a se programar e a planejar muito melhor nossa rotina. Isso, sim, foi um ganho! 🙂

Um exemplo é o supermercado: antes, fazíamos uma lista do que estava faltando em casa e íamos no máximo uma vez por semana. Agora, o que deu mais certo pra gente é fazer um planejamento (mesmo que mental) do que vamos comer durante a semana para programar os melhores dias para fazer as compras, que agora são feitas de bicicleta, pelo menos, duas vezes por semana. E, claro, estamos sempre de olho na previsão do tempo.

Ou seja, sem o carro, a gente acabou planejando melhor nossa alimentação e também a nossa rotina de compras, já que não dá para trazer o supermercado inteiro nas sacolas ou cestinhas da bicicleta.

Neste vídeo abaixo, você pode ver como eu faço compras de bicicleta por aqui:

Outra coisa que mudou muito por estarmos sem carro na Alemanha foi a nossa perspectiva da cidade. É que, quando estamos dentro dos veículos, a paisagem lá fora passa muito rápido e quase não há tempo para reparar nos detalhes de cada lugar. Já a pé ou de bicicleta, sentimos que ganhamos muito ao conseguir reparar com mais tempo no que está acontecendo ao redor da gente.

Este ano, por exemplo, consegui observar muito melhor a mudança das estações do ano. Na primavera, deu para ver certinho a paisagem das árvores ficando verde semana a semana, e as florzinhas chegando. Aí, eu ia registrando tudo em fotos e dava para reparar bem nas transformações de cada lugar pelo caminho. Foi muito bonito! 😀

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Pedalando, acabamos encontrando caminhos novos e ganhamos novas perspectivas para admirar a cidade

Mas e o frio? Atrapalha muito?

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Indo para o supermercado no inverno. A temperatura nesse dia estava -7°C

O frio atrapalha um pouco, sim. Porém, quando a gente se encapota bem com roupas bem quentes e impermeáveis, dá para ficar sem carro numa boa. Ruim mesmo é a chuva (pior do que a neve), pois as gotas chegam a doer quando batem geladas no rosto e nas costas (digo isso por experiência própria! Haha!).

Então, se chove, a gente acaba tendo que resolver a vida a pé e de guarda-chuva. Não tem jeito. E, se neva, também é preferível deixar a bicicleta guardada, pois as ruas ficam bem mais lisas.

Mas ainda que haja esse desconforto de vez em quando, nós ainda saímos do inverno gostando muito da experiência de ficar sem um carro e, por enquanto, não pretendemos comprar um.

E os transportes públicos?

Se já usávamos antes os transportes públicos na Alemanha mesmo com um carro, agora usamos ainda mais. Como atualmente moramos em Neumarkt i. d. Oberpfalz, e o Tiago trabalha em Nürnberg, ele usa o trem todos os dias para chegar até a empresa.

Aqui em Neumarkt não temos necessidade de pegar um ônibus, pois a cidade é bem pequena e tudo o que precisamos fica perto de nós. Já em Nürnberg, estamos sempre usando a frota de metrô, ônibus e tram disponíveis na cidade. Achamos bem fácil de se locomover desse jeito por lá.

Vocês nunca mais vão comprar um carro?

No momento, não. Apesar de termos menos conforto no inverno, estamos aproveitando bastante a liberdade de não precisar de um carro agora. É mais barato, mais saudável, mais sustentável e nos motiva a planejar melhor nossos compromissos.

Talvez, no futuro, possa chegar o dia em que a comodidade do carro supere todos esses quesitos acima, e então a gente precise pensar em comprar um novamente. Mas, por enquanto, vamos curtindo a vista e o vento no rosto com as nossas “magrelinhas”. 🙂

Espero que tenha gostado do conteúdo! Qualquer dúvida, pode me escrever aqui nos comentários.

Beijos e até o próximo post! :**

 

 

 

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4 comentários em “Um ano sem carro na Alemanha

    1. Oi, Dani! Que bom que minha “voz” chega por aí, me alivia um pouco a saudade e a falta de não poder sempre conversar com vcs! 🙂
      Bom, se aqui no ovinho que é Neumarkt já dá para curtiu muito a cidade, em São Paulo o que não falta é possibilidades, né? Beijo para vcs, que eu amo muito!

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    1. Seria muito gostoso mesmo, né? Mas acho que em Rio Preto o fator “calor” é um dos mais limitantes, né? hahaha! Mesmo assim, a cidade é linda e cheia de lugares agradáveis para dar uma voltinha (até a pé) no fim do dia, quando o calor é menos intenso.
      Beijos, querida! Saudade de vc!

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