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Minha história com trabalho voluntário na Alemanha

Oi, gente! Vocês já fizeram algum tipo de trabalho voluntário? Desde que vim morar na Alemanha, sempre tive uma vontade muito grande de fazer algo assim.

Quando morava em Neumarkt, minha antiga cidade na Alemanha, todas as vezes que eu ia a pé para um determinado supermercado, passava bem ao lado de uma Seniorenheim, uma espécie de casa para abrigar idosos, onde vários senhores e senhoras ficavam repousando ao lado de uma janela e me viam passar pela rua. Eu sempre olhava pra eles e mostrava um sorriso bem largo, em uma tentativa de oferecer uma pequena surpresa para o dia de cada um deles. E isso sempre mexia comigo…

Bem, naquela época, eu ainda não me sentia muito segura para exercer nenhum tipo de trabalho na Alemanha, ainda que soubesse que qualquer atividade como essa pudesse ser bem interessante até para o meu nível de alemão.

Depois que nos mudamos para Nuremberg, descobri que o nosso bairro também possui não apenas um, mas vários Seniorenheime! E no portão de entrada de um deles, havia, inclusive, um convite a todos os interessados em fazer algum tipo de trabalho voluntário com os idosos. Pensei comigo: “agora chegou a minha vez de fazer isso dar certo!”

Fui até lá, preenchi uma pequena ficha de inscrição e, dias depois, recebi uma ligação de uma senhora muito, mas muito simpática. Ela se apresentou como uma das responsáveis pelos voluntários do asilo e me convidou para uma conversa presencial.

No dia, imaginei que ela faria mil e uma perguntas, como uma espécie de entrevista para saber se eu realmente estaria capacitada para fazer algo pelos idosos, mas foi um encontro bem mais tranquilo. Sentadas à mesa de um dos cafés do próprio asilo, ela me explicou o que os voluntários podem e não podem fazer pelos idosos. Disse também que ela precisaria de uns dias para encontrar a pessoa certa para mim, com quem eu poderia passar o meu tempo conversando, lendo algum livro ou fazendo um pequeno passeio.

Quando nos encontramos novamente, ela pôde então me apresentar três moradores do asilo: um senhor muito mau-humorado, outro bastante calado e uma senhora calma, mas que, infelizmente, possuía certo nível de demência.

Eu estava com muita vergonha, mas me apresentei a essas três pessoas e, assim como fazia com os senhores e senhoras pela janela do asilo de Neumarkt, tentava manter um sorriso no rosto, na tentativa de criar algum tipo de conexão com algum deles.

Depois desse dia, a responsável pelos voluntários me perguntou com qual dos três senhores eu havia me identificado mais. Respondi que era com a senhora.

Ela tentou, então, fazer com que eu me tornasse a acompanhante dessa senhora. Porém, para isso, eu precisaria da aceitação da filha dessa idosa, o que, infelizmente, não aconteceu. Segundo a filha, sua mãe não precisava de mais alguém para lhe fazer companhia. Achei a resposta um pouco ríspida, mas entendi que ela deve saber melhor do que eu o que sua mãe realmente precisa.

Minha nova amiga

Tive que esperar mais alguns dias e, finalmente, a responsável pelos voluntários me apresentou outra moradora do asilo, que também possui certo tipo de demência e apresentava certa resistência em aceitar a ideia de receber semanalmente algum voluntário para lhe fazer companhia.

Estávamos no quarto dela, enquanto ela negava minha presença, dizendo que era completamente independente, quando tive uma ideia fundamental para virar o jogo:

“Realmente, posso ver que a senhora consegue fazer as coisas muito bem sozinha e acho isso maravilhoso”, eu disse a ela. “Porém, como a senhora pode ouvir no meu alemão, eu não sou daqui e gostaria muito de que o meu idioma melhorasse muito. Seria tão bom se eu pudesse encontrar alguém para me ajudar…”

Nessa hora, os olhos da responsável pelos voluntários brilharam e ela entrou no jogo para me ajudar, tentando convencer a idosa de que eu teria assim uma professora de alemão maravilhosa, já que seu nível de alemão era “perfeito”.

“Mas é claro que o meu alemão é perfeito! Eu nasci aqui na Alemanha”, replicou a velhinha. E foi nesse momento que consegui conquistá-la, pois ela certamente ganhou o dia ao perceber que poderia ser mais útil para mim do que eu para ela.

Marcamos, assim, nosso primeiro encontro para a semana seguinte. Eu passaria a visitá-la uma vez por semana, durante aproximadamente uma hora.

Nas três primeiras semanas, tivemos a companhia da responsável pelos voluntários, que me passava orientações e explicava melhor sobre como eu deveria me comportar em determinadas situações.

Depois disso, recebi um crachá com meu nome e passei a me encontrar semanalmente com a “minha amiguinha”. Tem dia que a nossa conversa rende mais, tem dia que menos, mas, de uma maneira geral, saio de lá feliz pela oportunidade que tenho.

Percebo que algumas vezes, minha nova amiga me reconhece. Outras vezes, ela pergunta quem eu sou. Uns dias, ela me afirma algumas coisas sobre seu passado, mas, em outros, passa informações bastante contraditórias.

Não acho isso de todo ruim, pois posso sempre perguntar a mesma coisa a ela diversas vezes. E assim nunca ficamos muito tempo sem assuntos para conversar.

Há pouco mais de um mês, em um dos nossos encontros, ela estava muito mal humorada, pois sentia fortes dores nas costas. Fiquei tão triste por sua situação e não sabia direito nem o que dizer e nem como me comportar. Então, com receio de mais atrapalhar do que ajudar, preferi permanecer apenas uns 10 minutos com ela e fui mais cedo pra casa.

Nas semanas seguintes, acompanhei sua melhora. E comecei também a levar minha Bíblia em alemão na bolsa com alguns versículos separados. Geralmente são salmos, mostrando que Deus pode ser nosso refúgio e fortaleza em dias de angústia de aflições.

Costumo ensaiar a leitura aqui em casa, para fazer bem bonito na hora de ler para ela. E tenho que ler alto e pausadamente, para que ela possa compreender certinho o que estou falando.

Acho esses momentos maravilhosos, pois a cada versículo que leio, tenho percebido ela dizer “Oh… Que maravilhoso!” ou “Sim, isso é verdade!”.

Hoje, saí de lá com ela me agradecendo pela visita e dizendo que me esperava ver novamente na próxima semana. Bem, não sei se ela vai se lembrar disso no próximo encontro, e nem se ela estará mesmo bem para conversar, mas para mim tem valido muito a pena cada minuto que passamos juntas.

7 comentários em “Minha história com trabalho voluntário na Alemanha

  1. Oi Lissa, vc realmente é uma florzinha! Te acompanho no Instagram e fico feliz ao ver suas conquistas. Moro na Alemanha e sei bem como é difícil, se adaptar e lidar com o jeito dos alemães. Parabéns!

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